Dia mundial da Fotografia - World Photography day

18/08/2015

Tenho estado a pensar nisto em pára arranca durante o dia, e é um dia que não podia deixar passar em branco, e tenho visto amigos e colegas de profissão a agradecer aos grandes Niépce e Daguerre por terem dado origem a algo que hoje em dia tem uma grande parte na vida de tanta gente. Mas eu tenho que fazer um agradecimento mais próximo. Este fica mais perto de casa, fica naquela que já foi a minha casa, com o meu pai.

Por muito que eu às vezes queira fazer sobressair as diferenças entre nós, às vezes torna-se impossível negar a influência que ele tem sobre mim. Este homem conseguiu induzir em mim a escolha de duas profissões completamente diferentes. E embora ele ainda esteja um bocado chateado por eu ter largado a primeira e ter decidido seguir a segunda acho importante que se saiba que foi ele que me levou até às duas.
Tenho que lhe agradecer neste dia pois foi ele que me pôs pela primeira vez uma máquina fotográfica nas mãos. É certo que provavelmente aconteceu num dos dias em que estávamos os dois a ver os aviões passar num qualquer espectáculo aéreo algures por Portugal, daí a influência para a primeira profissão que tive.
Mas já antes disso em minha casa se falava de fotografia porque o meu pai também fotografava. As minhas primeiras memórias de fotografia não são a fotografar mas sim a revelar fotos. Lembro-me distintamente de o meu pai montar o ampliador na casa de banho numa bancada improvisada por cima da banheira, dentro da qual estavam as tinas com os químicos que faziam aparecer as imagens no papel mágico que não podia apanhar luz. Lembro-me também que a nossa casa de banho da altura tinha uma janela alta com vidro fosco que dava para o meu quarto e que o meu pai tapava diligentemente com cartolina negra quando nos preparávamos para revelar fotos.
Estava eu longe de saber o quanto aquilo me ia influenciar mais tarde.
Peguei muitas vezes na máquina do meu pai, tirei fotos com ela, ouvi dicas dele com a ligeireza de quem trata de um passatempo porreiro, que é para tantos, como era para ele.
Mais tarde, com 16 anos, fiz um curso de fotografia de verão, 3 semanas de loucura, em que o rolo era ilimitado e o tempo na câmara escura era o máximo que se pudesse aproveitar. Disparei nessa altura em analógico como se faz hoje em digital, de forma rápida (e um bocado descuidada) como quem toma o gosto de algo viciante mas sem se aperceber que está viciado.
Entretanto vieram os meus 18 anos e encostei a máquina, resolvi ir para a outra profissão, e estudei, fiz e aconteci.
Mas com o passar dos tempos a vontade de fazer imagens foi reaparecendo cada vez com mais força.

Comprei uma máquina, li revistas, li livros, vi imagens, voltei a ler, segui tutoriais no youtube e outros sites de fotografia, fiz um curso profissional à noite, nas horas vagas, etc.
Disse ao meu pai que tinha decidido largar a primeira profissão para seguir a segunda, ele não gostou muito, sem se aperceber que tinha sido ele que me tinha dado essa opção muitos anos antes. "Para quê largar algo seguro, que paga todos os meses a mesma coisa no mesmo dia, por algo que pode não dar o suficiente para tudo?" perguntava ele.
Para ser mais feliz.
Acho que a fotografia me aproxima das pessoas e das coisas importantes deste mundo. Sinto-me bem por trás da máquina a fazer sentir bem quem está à frente dela.
Como cheguei aqui pelas mãos do meu pai, aqui ficam as mãos do meu pai, com máquina fotográfica.

 

-

I've been thinking about this on and off during the day, and it is a day that I couldn't let go by without remarking on, and I've seen friends and professional colleagues thanking the great Niépce and Daguerre for creating something that these days has such a great role in everyone's life. But I have to give a closer thank you. This one is closer to home, in that house that was once my home, with my father.
As much as I sometimes try to highlight the differences between us, sometimes it becomes impossible to deny the influence that he has over me. This man was able to induce in me the choice of two completely different professions. And even though he is still a bit upset because I let go of the first on  and decided to follow the second I think it is important for it to be known that it was him that took me to both.
I have to thank him on this day because it was him that put a camera in my hand for the first time. It is more than likely that this happened on one of the days in which we were both watching the airplanes go by in some airshow somewhere in Portugal, hence the influence for my first profession.

But even before that there was talk of photography at home because my father also photographed. My first memories of photography are not photographing but printing pictures. I remember distinctly my dad setting up the enlarger in the bathroom on an improvised work bench over the bath tub, in which there were the vats with the chemicals that made the images appear in that magical paper that couldn't be out in the light. I also remember that our bathroom at the time had a high window with frosted glass that connected to my room and that my dad would diligently cover up with black cardboard when we prepared to print pictures.

I could not imagine how much that would influence me later.

I took up my father's camera many times, I took picture with it, I heard his tips with the lightheartedness of someone who takes care of a cool hobby, which it is for so many, and which it was for him.

Later, when I was 16 years old, I took a summer photography course, 3 weeks of madness, in which the film was unlimited and the time in the dark room was as much as one could take. I shot at that time with film like one does today in digital, quickly (and clumsily) like someone who begins to enjoy something addictive without realizing he is addicted.

Meanwhile I turned 18 and I put down the camera, I decided to go into that other profession, and I studied, I did it and I succeeded.

But with the passing of time the will to make images reappeared and it was stronger than before.

I bought a camera, I read magazines, books, saw images, read again, I followed tutorials on youtube and other photography websites, I took a professional course at night, in my free time, etc.

I told my father I had decided to drop my first profession and move on to the second, he didn't like it too much, without realizing that it had been him that had given me that option many years before. "Why drop something secure, that pays every month the same thing on the same day, for something that might not give you enough for everything?" he asked.

To be happier.

I think that photography brings me closer to people and to the important things in this world. I feel well behind the camera when I make the person in front of it feel well.
Since I got here by my father's hands, here are my father's hands, with a camera.

 

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