• Jorge Bernardes

Não há coragem sem medo

Depois de amanhã começa o primeiro ano, desde que iniciei a minha vida de trabalho, em que não terei um salário ao fim do mês. É algo novo e, honestamente, assustador.

Não tenho tantas certezas como dantes, não sei se vai correr bem, mas sei que vai acontecer. Apesar de sempre ter tido um gosto enorme em fazer bem o que quer que fosse, sabia que havia dinheiro a entrar-me na conta cada vez que o calendário mudava de página, algo com que podia contar. Tanto como quando trabalhei na Força Aérea ou quando estive a ensinar Inglês numa escola gostei do meu trabalho e gostei também dessa segurança que vinha regularmente com data marcada, mas em ambos senti após algum tempo uma necessidade de mudança. E embora às vezes sejamos nós que nos decidimos pela mudança, outras vezes a mudança vem ter connosco sem nós termos a certeza de a querermos.

Há um certo desequilíbrio, mas a verdade é que para haver movimento, crescimento, o desequilíbrio é necessário. Quando caminhamos, quando corremos, inclinamos o corpo e depois pomos o pé no sítio e quem passa a vida a pôr o pé antes de inclinar o corpo caminha de maneira estranha... É tudo uma questão de encontrar o equilíbrio no desequilíbrio necessário para irmos evoluindo.

Não sei exactamente o que vai acontecer, não tenho as respostas todas e não tenho problemas em admiti-lo.

Dou-me à incerteza navegando pelo mar dela adentro como um marinheiro que quer ver o outro lado do mundo e nada me garante que por muito bem que faça o meu trabalho que haja uma recompensa à minha espera, ou um porto que me dê descanso. Mas o facto é que apesar de os navios estarem seguros no porto, não foi para isso que foram feitos.

Mas ainda há coisas que sei e algumas certezas que tenho. Sei o que quero fazer, tenho os meus objectivos, imagino os horizontes que quero descobrir e acima de tudo sei o meu "porquê".

Fazer pessoas felizes com as minhas fotografias e ser feliz a fazê-lo.

Sinto que desde comecei a fotografar profissionalmente, há cerca de 3 anos, o tenho conseguido fazer, e neste ano que agora termina em particular, tive hipótese de conhecer pessoas que, através das suas palavras acerca das fotografias que fiz para elas, me deram ainda mais alento para continuar. Para mim é um orgulho enorme quando alguém me diz com entusiasmo que vai pôr uma fotografia que criei na parede de sua casa, e este ano isso aconteceu!

Tenho também a certeza de ter alguns bons amigos e uma família de pessoas que se preocupam comigo e que apesar de nem sempre concordarem com as minhas opções nem por isso me põem de parte. Por se preocuparem, às vezes, aconselham-me ao caminho mais seguro, com menos ondas, para que a minha vida seja mais fácil. Mas normalmente as coisas que valem a pena fazer não são fáceis. Elas dão trabalho, elas exigem aprendizagem, elas impõem persistência, na sua dificuldade levam-nos a ser mais e melhor. E eu quero continuar a crescer, a aprender, a fazer mais e melhor aquilo que amo fazer e se possível todos os dias satisfazer o meu "porquê".

Portanto aqui vou eu, ao caminho, marinheiro inexperiente no mundo do freelance, a soltar amarras, com medo, mas vou.

Uma das melhores citações que conheço e da qual me lembro muitas vezes, por ser aplicável a tantas situações nas nossas vidas é esta:

"Coragem não é a ausência do medo, mas antes a avaliação de que outra coisa é mais importante que o medo." Ou nesta versão "Coragem não é a ausência do medo, é agir apesar dele."

A citação é atribuída a várias pessoas nas suas versões diferentes tais como Franklin D. Roosevelt e Mark Twain, e que fizeram umas coisas bem catitas nas suas vidas, e eu também quero fazer.

O que desejo a todos vós para o novo ano é muita coragem, apesar dos medos, que todos temos. Que continuemos a crescer, a aprender e a amar.

Feliz 2017!

Saúde!



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